Cidades em emergência por estiagem na Bahia gastam R$ 14 milhões com cachês de artistas para o São João - SAJ ACONTECE

quarta-feira, 18 de junho de 2025

Cidades em emergência por estiagem na Bahia gastam R$ 14 milhões com cachês de artistas para o São João


Foto: ASCOM – Prefeitura Municipal de Senhor do Bonfim

Três municípios da Bahia que estão em situação de emergência por estiagem — Senhor do Bonfim, Quijingue e Tucano — destinaram juntos mais de R$ 14 milhões para o pagamento de cachês artísticos nos festejos de São João em 2025. As informações constam no Painel de Transparência dos Festejos Juninos, divulgado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA).

Senhor do Bonfim, no norte do estado, lidera os gastos entre as três, com investimento de R$ 5,33 milhões. Em seguida, aparecem Quijingue, no nordeste baiano, com R$ 5,25 milhões, e Tucano, a 268 km de Salvador, com R$ 4,29 milhões. Os três municípios constam com decretos vigentes de situação de emergência no Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil (Sinpdec), do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional.

O decreto de emergência por estiagem em Senhor do Bonfim vale até 7 de julho. Em Quijingue, segue até 30 de setembro, e em Tucano, até 25 de outubro.

Gastos por município

Senhor do Bonfim é o quinto maior investidor da Bahia em cachês de artistas para o São João, com recursos exclusivamente municipais. Dentre os contratados estão Natanzinho Lima (R$ 600 mil), Henry Freitas (R$ 565 mil) e Murilo Huff (R$ 500 mil). Até agora, foram anunciadas 28 atrações, com cachês que variam de R$ 600 mil a R$ 800 mil.

Ao g1, o prefeito Laércio Júnior (União) afirmou que os valores não incluem estrutura física da festa, pois os espaços são concedidos à iniciativa privada. Segundo ele, a festa deve movimentar cerca de R$ 60 milhões na economia local e atrair até 40 mil pessoas por noite. “Senhor do Bonfim hoje não tem mais uma vaga no hotel. É a grande festa da cidade […] temos nove cidades ao redor, o que potencializa o público para quase 300 mil pessoas”, declarou.

Já em Quijingue, quase R$ 4,8 milhões dos R$ 5,25 milhões investidos são de origem municipal. O restante — R$ 480 mil — vem de recursos estaduais e será utilizado no evento “Arraiá do Triunfo”, entre os dias 19 e 24 de junho. Ainda segundo o MP-BA, o valor gasto em 2025 é quase quatro vezes maior do que o aplicado no ano anterior (R$ 1,3 milhão).

Apesar de não ter tradição consolidada nos festejos juninos, o município também decretou, neste ano, emergência por problemas financeiros. Esse decreto, diferente do federal por estiagem, durou 60 dias. Em entrevista à TV Bahia, o prefeito Romerinho (Avante) disse que o investimento foi embasado em estudo técnico. “Não foi algo aleatório, é um investimento para atrair turistas, [é] investimento na nossa cultura”, afirmou.

Em Tucano, o investimento total em atrações musicais soma R$ 4,29 milhões, dos quais R$ 3,6 milhões são recursos municipais e R$ 675 mil, estaduais. O cantor Leonardo será a principal atração, com cachê de R$ 750 mil. O menor cachê pago foi de R$ 220 mil.

O prefeito Ricardo Maia (MDB) também falou à emissora, dizendo que a cidade depende fortemente da agricultura familiar, afetada pela estiagem. “A gente fez corte de gastos dentro do município. Buscamos recursos em outras esferas, que não as municipais”, disse.

Regras para cidades em situação de emergência

Atualmente, 108 municípios da Bahia estão com decretos de emergência vigentes por seca ou chuvas intensas, segundo o Sinpdec. Desses, 98 estão realizando festejos juninos.

Embora o decreto de emergência não impeça a realização das festas, os municípios nessa condição devem seguir a Norma Técnica Conjunta nº 001/2025, assinada em 29 de abril pelo Ministério Público da Bahia, Tribunal de Contas do Estado (TCE) e Tribunal de Contas dos Municípios (TCM). O documento determina que:

  • os recursos estaduais ou federais recebidos devido à calamidade não podem ser usados nos festejos;
  • as prefeituras devem apresentar estudo técnico com projeção do impacto financeiro;
  • os municípios devem evitar solicitar suplementação orçamentária para custear as festas.

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