
O Ministério das Relações Exteriores da China criticou nesta sexta-feira (11) o aumento das tarifas de importação a produtos brasileiros anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A medida, divulgada nesta semana, impôs uma taxa de 50% a itens brasileiros que entram no mercado norte-americano.
Questionada sobre o assunto por uma repórter, a porta-voz do ministério, Mao Ning, afirmou: “A igualdade de soberania e a não-intervenção em assuntos domésticos são princípios importantes da Carta da ONU e normas básicas nas relações internacionais.” Ela acrescentou: “Tarifas não deveriam ser uma ferramenta de coerção, intimidação ou interferência.”
Foi a primeira manifestação oficial de Pequim após o chamado “tarifaço” de Trump ao Brasil, que provocou tensão diplomática entre Washington e Brasília. O anúncio ocorreu logo após a realização da cúpula do Brics — grupo que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — no Rio de Janeiro, na semana passada.
Dois dias antes, Trump também havia ameaçado os países do Brics com novas tarifas. Segundo ele, o grupo tentaria enfraquecer os Estados Unidos e substituir o dólar como moeda global. “Qualquer país que fizer parte do Brics receberá uma tarifa de 10%, apenas por esse motivo”, declarou o republicano, acrescentando que a medida deve ser implementada “muito em breve”. “Se eles quiserem jogar esse jogo, tudo bem. Mas eu também sei jogar.”
A China, que também integra o Brics, tem histórico recente de embates econômicos com os Estados Unidos. No início deste ano, os dois países travaram uma disputa tarifária que escalou até abril, quando Trump anunciou um aumento generalizado de tarifas. Produtos chineses chegaram a ser taxados em até 34%.
Em resposta, Pequim elevou tarifas sobre mercadorias norte-americanas, em alguns casos para até 125%. As sucessivas retaliações resultaram em aumentos mútuos que atingiram 145% para produtos chineses nos EUA. Em maio, após a China adotar novas medidas, os dois países iniciaram negociações e chegaram a um acordo que reduziu as tarifas para 30% no caso de produtos chineses nos EUA, e 10% para produtos norte-americanos na China
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