Ex-diretora de presídio teve romance com detento e ligação com facções na Bahia, diz investigação - SAJ ACONTECE

sexta-feira, 4 de julho de 2025

Ex-diretora de presídio teve romance com detento e ligação com facções na Bahia, diz investigação


Foto: Arquivo pessoal

A ex-diretora do Conjunto Penal de Eunápolis, no extremo sul da Bahia, Joneuma Silva Neres, é acusada pelo Ministério Público Estadual (MP-BA) de corrupção, envolvimento com facções criminosas e de manter um relacionamento com um interno do presídio. As informações constam em processo obtido pela TV Bahia e detalhado no BATV desta quinta-feira (03).

O caso veio à tona quase sete meses após a fuga em massa de 16 detentos, registrada em dezembro do ano passado. Apenas um dos fugitivos foi localizado, em janeiro deste ano, mas morreu em confronto com a Polícia Civil. Os demais seguem foragidos.

Joneuma, policial penal de 33 anos, foi indiciada por facilitar a ação criminosa e está presa, assim como Wellington Oliveira Sousa, ex-coordenador de segurança do presídio e homem de confiança da ex-diretora. Ao todo, 18 pessoas foram denunciadas pelo MP-BA.

Regalias e encontros com chefe de facção

Segundo o processo, desde que assumiu o cargo, em março de 2024, Joneuma passou a conceder regalias a presos, como a entrada irregular de roupas, ventiladores, sanduicheiras e até freezers. Depoimentos apontam que ela atendeu a diversas exigências de Ednaldo Pereira de Souza, o “Dadá”, apontado como líder de uma facção criminosa com ramificações no Rio de Janeiro.

Dadá é um dos fugitivos e, segundo relatos, mantinha encontros frequentes e a sós com Joneuma na sala de videoconferência do presídio. Um papel branco obstruía a visão da porta de vidro durante os encontros, classificados como “sigilosos e duradouros” por servidores da unidade. Há também a suspeita de que os dois mantinham relações sexuais dentro do presídio, informação presente em depoimentos de funcionários, mas não confirmada por Wellington.

Entre os privilégios concedidos, está o acesso livre da esposa de Dadá ao presídio, sem qualquer inspeção, conforme denunciado por Wellington.

Defesa nega envolvimento

Presidente da unidade por nove meses e primeira mulher a ocupar esse cargo no estado, Joneuma foi presa em 24 de janeiro deste ano, grávida. O bebê nasceu prematuro e segue com ela no Conjunto Penal de Itabuna, no sul da Bahia.

A irmã e advogada da ex-diretora, Jocelma Neres, nega o relacionamento com o detento. “Ela está sofrendo as consequências de um crime que não cometeu. Nunca teve nenhum relacionamento com essa pessoa”, afirma.

Ela também manifesta preocupação com a permanência do bebê na cela. “O presídio não é ambiente para uma criança recém-nascida e a família está desesperada, sem ter o que fazer. A gente não tem condições de estar lá com ela, pelo fato de ser uma cidade longe, e não ter recursos financeiros para estar lá”, desabafa.

Já o advogado Artur Nunes, que também defende Joneuma, alega que algumas concessões a presos fazem parte da tentativa de manter a ordem interna. “Dentro de uma unidade prisional, a gente entende, vive muito de negociação, no sentido de manter, ao máximo, a ordem da unidade prisional, evitar problemas, [evitar] que conflitos entre eles ocorram”, argumenta.

Paternidade contestada

Em abril, Joneuma entrou com pedido judicial de auxílio financeiro contra o ex-deputado federal Uldurico Alencar Pinto, o Uldurico Júnior, que seria o pai da criança. Candidato à Prefeitura de Teixeira de Freitas em 2024, ele é citado como padrinho político da ex-diretora.

Segundo informações do processo, o ex-parlamentar foi visto diversas vezes dentro do presídio. Um policial penal relatou, em depoimento, que políticos ingressavam na unidade sem passar por revista, inspeção ou cadastro, e citou nominalmente Uldurico.

O mesmo agente afirmou que, ao saber das visitas, preferia deixar o local por considerar a situação inadequada. Ele também diz ter recebido informações de que o ex-deputado mantinha contato com presos ligados a facções criminosas, incluindo o próprio Dadá.

Procurado pela TV Bahia, Uldurico Júnior declarou que não responde a nenhuma acusação e que tem pressa para realizar o exame de DNA.

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